Páginas

sábado, 15 de janeiro de 2011

Parecia que era minha...

Hoje me lembrei da vontade que tive uns dias atrás. Vontade que tive meses atrás na verdade, mas que só pude sanar agora, de volta à internet.
 Peguei-me com vontade de atualizar minha leitura, leitura sobre uma pessoa que admiro muito e que espero um dia ainda encontrar pessoalmente.
 Espero muito.
 Pois eu comecei a ler e comecei a lembrar de como essa pessoa é especial.
 Sempre me julguei um cara diferente dos demais, sempre fui o romântico do relacionamento, ainda que não tenha vivido muitos, sempre fui o sonhador e sempre me julguei o melhor cara do mundo.
 A melhor pessoa do mundo!

 Hoje vejo que estou longe disso.

 Vejo que estou longe, pois lendo a sinceridade, o sentimento, sentindo o calor do fogo real que a paixão pode lançar ferozmente sobre o corpo de uma pessoa, eu mesmo senti algo que já não sentia há muito tempo. Senti meu corpo inclinar-se para frente, próximo da tela, lendo mais e mais, como quando se abraça uma pessoa sem nem saber mais onde abraçar, sem saber como fazer, mas querendo ter a pessoa dentro do próprio corpo para que nunca mais escape. Provar que é nossa! Sentir nossa! Ter!

 Senti algo que nunca tinha sentido antes. Em verdade, senti uma única vez e não terminou bem. Isso porque nunca termina bem. Esse tipo de paixão não deve ser vivido se não querermos nos magoar, se não queremos estragar a ideia, porque a ideia é nossa. Esse sentimento não é construído em par, é sentido por uma pessoa, no silêncio do quarto, no calor da lareira de uma sala numa noite chuvosa...é subentendido.

 “E deixe que seja!” pensamos nós.

 Mas como é difícil deixar subentendido. Chega sempre a hora em que a gente diz a verdade e, por vezes, a nossa verdade é idealizada pela outra parte. Mas existe um problema: Todos nós somos diferentes. Todos vivemos vidas diferentes e mesmo irmãos gêmeos passam por situações diferentes em suas vidas que os presenteiam com personalidades muito diferentes.

 E então a fantasia se vai...

 Brigas! Discussões! Barulho! Problemas financeiros! Problemas na forma de se lidar com as coisas da casa! Ter sonhado algo tão perfeito, saber que o outro sonhava algo ainda mais perfeito e, finalmente, entender que, não passavam de sonhos individuais...não podiam ser o mesmo sonho. Não sonhado por pessoas diferentes.

 Mas a gente insiste! A gente gosta e até perdoa algumas mágoas às vezes, afinal, é a nossa vida que está ali. O ser humano é assim.

 Somos uma espécie de animal que possui a habilidade de pensar, de imaginar. Criar. Se não tivéssemos essa capacidade o mundo seria bem mais fácil...mas temos e agora não adianta reclamar. Tão pouco valor tem essa capacidade que podemos passar a vida inteira pensando naquela pessoa que não pudemos ter durante todo tempo, mas sempre que outro alguém aparece para preencher a lacuna, o instinto nos leva a amar aquela pessoa com se fosse a última até o dia em que esta não estiver mais lá, permitindo assim que voltemos a pensar naquela pessoa que nunca poderemos ter...

 Eu resolvi reabrir o Blog assim, pois hoje posso repetir as palavras de um talentosíssimo compositor e letrista, Humberto Gessinger, ele diz:

 “Eu conheci uma guria, que eu já conhecia,
 De outros carnavais, com outras fantasias.
 Ela apareceu, parecia tão sozinha.
 Parecia que era minha aquela solidão.”

 E ainda me arrisco a dizer que conheci um cara que eu já conhecia, há mais de vinte carnavais, vinte mil fantasias que sempre pareceu tão sozinho e hoje sei que é mesmo minha essa solidão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário