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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Seis mil reais...

Hoje, lembrei-me de escutar uma vez, num programa de rádio, que os impostos pagos ao país pelos brasileiros, se divididos por todos, resultariam em um valor médio de 6000 reais por pessoa por ano.

 Pouco, pensei.
 Pouco, pensaram.

 Pouco para manter um ser humano por um ano inteiro é o que pensamos.

 Hoje, pensei:

 Pouco?

 Será que alguém no governo poderia alegar ser pouco dinheiro por pessoa para poder administrar um país?
 Ok, o custo de uma pessoa que vai ao posto público de saúde não é apenas o salário do médico nem o custo dos remédios. Papel higiênico para os funcionários, sabonete para os funcionários, energia elétrica, água.

 Mas...

 Seis mil reais por ano é pouco dinheiro para manter uma pessoa?

 Pensemos que seja...

 Quanto é o salário mínimo no Brasil, hoje?
 Felizmente eu ganho mais do que isso, não sei exatamente a quantas anda. Algo em torno de 500 reais? 550?

 Façamos uma conta de padeiro, como diz meu chefe:

 Arredondando o salário mínimo do empregado brasileiro para 500 reais e multiplicando essa renda por 12 meses temos...

 Puuuuuuuuuutz!!!

 Seis mil reais! Por ano!

 Como no meu caso com a fratura distal do quarto pododáctilo direito, acabei por utilizar o sistema privado de saúde e, que bom que pude, certo que vou me privar de algumas coisas que já havia pensado em adquirir no início do ano, mas ao menos eu ainda tinha essas coisas para me privar.
 Agora imagine quantas vezes as pessoas precisam fazer isso?
 Conheço pessoas que não confiam em colégios públicos e põem suas crianças em colégios particulares sem ter tanto dinheiro assim. Uma vida difícil em casa...mas as crianças em um local que consideram seguro.

 Ok. Considerem, esse não é o assunto deste texto.

 O que quero dizer, mencionando essa história e a minha da fratura distal do quarto pododáctilo direito, é que por vezes nós nem gastamos o que o sistema público de qualquer coisa oferece.

 Nós não gastamos o imposto que pagamos! Ele tem de retornar! Nem sempre retorna!

 Se nós, pobres seres humanos sem formação para trabalhar com dinheiro, conseguimos manter-nos com a quantia de seis mil reais por ano por pessoa...se morarmos sozinhos, divida a renda de doze mil reais por ano por pai, mãe e filho e veremos que isso pode virar menos grana ainda, mas, ainda assim, se nós conseguimos sobreviver, comer, banhar-se, vestir-se, medicar-se e ainda comprar cerveja e cigarro como idiotas consumidores de mente fraca que somos e ainda sobra pra dar dinheiro pro filho comprar chiclete...

 É pouco mesmo?
 Não dá mesmo pra dar uma vida digna para cada habitante desse nosso país “maravilhoso” com esse dinheiro arrecadado?
 Talvez dê e ainda dê para pagar os salários exorbitantes que tanto querem os políticos que não têm um pingo de conhecimento sobre como administrar uma padaria ganham para fazer porra nenhuma a semana toda e viajar de graça, e comer de graça, e usar energia elétrica de graça, água, telefone...

 Alguns chicletes são mais caros que outros...será que não estamos dando chiclete demais pra alguns filhos e de menos para outros?

 Compre um maço de cigarro, dois fardinhos de cerveja, refri para as crianças, chame alguns amigos bêbados e esqueça a carne, ela sempre sobra no final mesmo, depois de tudo isso, faça uma boa viagem! 

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