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terça-feira, 1 de maio de 2012

Compreensões

(...) Então ele aqueceu cada parte do corpo com a água que caía do chuveiro, esfregava cada parte do corpo enquanto a molhava para se livrar do frio. De fato, era mais para se livrar de qualquer pensamento que o fazia, pois estendeu e muito o tempo que levava para cobrir o corpo com o calor.

 Olhou para parede...mãos na cabeça...a água batia na pele sem cabelos e escorria pelo pescoço para as costas e pernas...sua atenção voltava para a parede...

 "Como fizera? Não lembro mais, por isso nunca mais fiz...eu preciso lembrar agora..."

 O choro pareceu brotar discreto, ainda no "estômago" e isso, esse discreto nascer do choro que levaria um ou dois minutos para se manifestar foi o suficiente para refrescar a memória...

 "Eu expulsei todos esses sentimentos do corpo...eu não chorei muito, era mais recolhido...eu..."

 Ficou estranho por um tempo, em sua mente, mas ele entendeu.

 Parecia como chorar para dentro, como se estivesse tão magoado que não conseguisse nem chorar...mas não era isso...

 O choro vingou rápido, pois ele sabia do que se tratava, o gemido cessou e o corpo tremeu, contorceu-se em si, curvado...

 Os gemidos viajavam para fora do corpo por vezes, mas logo eram retidos.

 Precisava mandá-los para cada célula do corpo, não podiam sair só pela boca...

 Gritava, rugia, fazia ruídos estranhos, gemia, fechava a boca e repetia todos...

 Socava a parede, pulava, batia no ar com as pernas enquanto gritava e chorava sem tantas lágrimas e sem muito, digamos, choro...

 Estava harmonizando o corpo...

 Não só expulsava os sentimentos, vez que outra, pela boca mesmo, mas vibrava cada célula do corpo com seus "ruídos internos"...

 Eram fortes e balançavam todo corpo. Estava fazendo cada partícula de existência soar, vibrar no mesmo ritmo.

 Era o que tinha feito naquele dia. Livrava-se dos sentimentos para poder pensar, mas mais do que isso, mais do que simplesmente abrir espaço para o racional, deixando o emocional descansar, ele regulava cada parte do corpo, gritos estranhos, grunhidos, gemidos e coisas mais bizarras como tremer todo o corpo, curvado e socar a parede...tudo era parte da harmonização e...tudo acabava com risos...

 Risos de si mesmo...risos de nervoso, mas nervosismo saudável...falta-me palavras...trata-se daquela sensação de felicidade extrema que sucede um desafio quase insuperável...

 Riu...

 Riu muito, brincou, cantou, gritou, fez barulhos...estava descansado...equilibrado...pronto para outra...

 Ele finalmente entendeu o que era, para ele, a tal meditação."

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